Sobre a História

Escrever um livro nunca é fácil. Apesar disso, Condão saiu mais de uma sequência de ideias acumuladas que praticamente jorraram sobre a tela do notebook. A realidade distópica mostrada na história surgiu exatamente desse conjunto de vivências adquirido durante os anos. Enalteceu-se a política que, no fim, não preservou nenhuma corrente ideológica mas expôs as falhas de todas quase igualmente, assim como ressaltou as poucas virtudes da mesma maneira.

Silvia

Ainda que o livro tenha muita ilustração teórica no princípio, procurei progressivamente aumentar as sequências de ação durante o decorrer da narrativa ao ponto de, perto do fim, não haver mais quase espaço para reflexões. Essas explicações científicas iniciais são importantes mas não fundamentais. É certo que hoje somos infestados de mídia escrita, dentre outras, e que a sociedade se acostumou a leituras cartesianas e rápidas, com significados imediatos. O livro pode ser lido assim, pulando-se algumas explicações e não condeno ou reprimo quem o faça.  Mas é interessante, após o término, voltar a estas partes. Há algumas coisas ocultas que podem ajudar a compreensão de certos trechos.

Nestas explicações o teor é de cunho científico, mesmo que especulativo. Não há margem para criações não factíveis em um espaço curto de tempo. Mas o leitor ficará impressionado com a quantidade de especulações científicas possíveis, talvez até julgando-as impossíveis, de fato. Bem, isso já é difícil evitar. Ainda assim as teorias científicas que levam a isto estão lá. Sujeitas a debates e questionamentos, claro, mas estão.

De qualquer modo, houve uma preocupação forte de minha parte com essa tendência de hoje em se produzir literatura ou filmes pouco reflexivos, onde o leitor ou expectador praticamente é levado pela ação, do início ao fim, como em um tobogã, sem margem para manobras da mente. E por isso coloquei uma gama significativa de temas que sugerem debates, tanto políticos como filosóficos ou sociológicos, tudo de maneira sutil. Assuntos que fiquem na cabeça do leitor durante algum tempo e que levem a uma discussão entre amigos.

Celeste

Mas o foco é a aventura. Nada do que eu disse nos  parágrafos anteriores seria atrativo se o livro não fosse repleto de ação, de situações complicadas de se resolver e de soluções interessantes e reais. O leitor deve torcer pelo herói através de empatia pelo mesmo, e não por uma imposição forçada. Confesso que, quando criança, torcia mais pelos bandidos dos filmes de super-heróis. Não por ter empatia com o vilão. O fato das histórias serem tão falsas e o herói ter tantas vezes o mesmo final feliz me angustiava muito. Creio que hoje, mais do que antes, há um sentimento de recusa por heróis irreais.

Portanto, ingresse nessa aventura e boa sorte. Você vai precisar dela no futuro.

Abraços.

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